Ciências sem fim (1ºpost)

Este blog começou quando encontrei e li este artigo enquanto "surfava" nas minhas ondas "internéticas", até o titulo veio do artigo.

Vannevar Bush
O homem que comandou a pesquisa norte-americana na guerra
influiu nos destinos da produção do conhecimento no século XX

Ciência, a Fronteira sem Fim surgiu de uma encomenda feita por Franklin Delano Roosevelt, o presidente que levou os Estados Unidos da Depressão à vitória na II Guerra, a seu braço direito para assuntos de ciência — Vannevar Bush, engenheiro do Massachussets Institute of Technology (MIT) desde a década de 20, pioneiro da computação e do apoio profissionalizado à pesquisa científica e tecnológica. Durante os anos de guerra, Bush organizou e articulou a cooperação dos engenheiros, cientistas e pesquisadores civis. Ele foi bem na tarefa: o aperfeiçoamento do radar e a invenção da bomba atômica, por exemplo, foram feitos sob sua influência e protecção. O papel desempenhado pelos civis nesses projectos foi decisivo; e quem fez a ligação entre eles, os militares e o comandante em chefe Roosevelt foi Vannevar Bush.

Em sua encomenda a Bush, Roosevelt assinala de saída o sucesso do assessor: "o Escritório de Pesquisa e Desenvolvimento Científico (...) representa uma experiência única de trabalho (...) na aplicação do conhecimento científico existente para a solução de problemas técnicos fundamentais na guerra". Isto posto, continua o presidente, por que não aplicar as lições da experiência à pesquisa em tempos de paz?

Oito meses depois da carta de encomenda, datada de Novembro de 1944, Bush entregou em resposta o documento que começamos a publicar nesta edição. Mas não a Roosevelt, que morreu em Abril de 1945. Quem o recebeu foi o presidente Harry Truman. Há, no pedido da Casa Branca, e na formulação apresentada por Bush, que a elaborou a partir do trabalho de comissões, uma tranquila certeza sobre o poder da ciência e o papel decisivo que ela já desempenhava e continuaria a desempenhar para o emprego, para a guerra contra a doença, para a segurança nacional. A confiança no futuro que caracterizou as décadas de 50, 60 e 70 do século XX pousava também sobre a ciência; e, ao mesmo tempo, constituía sua sustentação.

A respeito do documento, do qual Inovação Unicamp publica as íntegras da correspondência trocada com os presidentes, o sumário e o capítulo introdutório, fala-se espelhar a visão ingénua, e ultrapassada, de que basta ao Estado financiar a pesquisa básica e desinteressada na academia, que a aplicação desses conhecimentos se dará espontaneamente. Mas a leitura do documento contra o fundo do perfil de pesquisador e articulador de Bush enfraquece essa versão. O doutor em Engenharia por Harvard e pelo MIT desenhou calculadoras electrónicas nos anos 30, criando as bases da tecnologia da informação de hoje. Durante a guerra, manteve as equipes de pesquisa sob a exigência de cumprimento de metas e, nelas, havia pouco espaço para a discussão da fronteira entre a chamada ciência básica e sua aplicação. Dividiu as tarefas de pesquisa e desenvolvimento do esforço de guerra com os laboratórios industriais das grandes corporações norte-americanas. Fundou companhias de sucesso a partir de seus inventos.

O activo papel da actividade empresarial na apropriação e geração do conhecimento cientifico não é, no entanto, o tema do documento. A ênfase estava na criação das condições para que a produção de conhecimento continuasse a acontecer na velocidade e com a relevância do tempo da guerra. Para isso, Bush propõe a criação de uma agência independente de fomento à pesquisa, uma espécie de marco zero da poderosa National Science Foundation, que nasceu em 1950. "O progresso científico é essencial... para a guerra contra as doenças... para nossa segurança nacional... e para o bem-estar da população", nos dizem os intertítulos programáticos do sumário do documento. Cinquenta anos depois, o mundo nos autoriza a dizer que não?

A tradução é de Bias Arrudão, do original em inglês publicado no site da National Science Foundation, em www.nsf.gov/od/lpa/nsf50/vbush1945.htm, com edição e poucas notas de Mônica Teixeira. Partes complementares do documento, às quais introdução e sumário fazem referência, também foram traduzidas. Publicamos, além disso, o índice completo.